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quarta-feira, 1 de junho de 1988

Artigo Sepé Tiaraju

Artigo publicado no Jornal ROTA, 12ª Edição, de 25 de Fevereiro de 2006, Ano I, tratando sobre o cacique guarani, líder na Guerra Guaranítica, entre os índios guaranis dos Sete Povos das Missões e os exércitos de Portugal e Espanha.






Sepé Tiaraju: Herói, Mito e Lenda

Edgar Bueno Silveira[1]

Há 250 anos, morria na batalha de Caiboaté, localidade de São Gabriel, um dos maiores ícones da história rio-grandense, e por que não, brasileira e sul-americana. Talvez alguns pensem ser um exagero esta afirmação, mas se recordarmos que a América pré Colombiana era propriedade dos índios, Sepé Tiaraju torna-se realmente em um verdadeiro mártir sul-americano. Tombou ao lado de brancos, mas lutando por uma terra que tinha dono, lutando por seu povo.
Sepé Tiaraju é ao mesmo tempo um herói, um mito e uma lenda. Herói por morrer em combate defendendo seu povo e seus ideais. Mito, pelo que representa para gaúchos e índios. Lendário, pelo lunar que traria na testa.
Segundo o escritor Alcy Cheuyche, Sepe Tiaraju contraiu varíola ainda quando criança. Essa mesma doença, que teria vitimado seus pais, teria também deixado uma cicatriz em sua testa, em forma de uma meia lua. De cor acinzentada, tal cicatriz brilhava durante a noite, pelo reflexo da lua e das estrelas. Surgia ai a lenda do “lunar de São Sepé”. (CHEUYCHE, 1993).
Os índios, que bravamente não se permitiram escravizar, tornaram-se amigos dos padres jesuítas espanhóis, da Companhia de Sancto Ignacio de Loyola. Estes mesmos jesuítas,  que introduziram o gado nestas vastas regiões da América do Sul, através do padre Cristóbal de Mendoza y Orellana em 1634 (GOLIN, 2001, p. 40), foram os fundadores de mais de trinta reduções, sete delas no território do atual Rio Grande do Sul.
Em determinado momento da História, Portugal e Espanha haviam desentenderam-se quanto aos limites e fronteiras de seus territórios. Para finalizar tal desavença, em 1750 foi assinado o Tratado de Madrid, pelo qual a Espanha entregava os “Siete Pueblos de las Missiones” a Portugal, e receberia em troca a Colônia do Sacramento, na atual região do Uruguai. Não aceitando retirar-se das reduções e entrega-las aos portugueses, os índios se revoltaram. Eclodia então, a Guerra Guaranítica. Por vários anos, os guaranis lutaram contra luso-espânicos pela posse do território das reduções jesuíticas, liderados por Sepé.
No dia sete de fevereiro de 1756, às margens da Sanga da Bica, em uma sangrenta batalha da Guerra Guaranítica, tombava Sepé Tiaraju, vitimado por um tiro, após ter sido ferido por uma lança e cair do cavalo.
O mito seria citado em 1769 pelo português Basílio da Gama como um herói no poema Uraguay, e em 1913 por Simões Lopes Neto em uma de suas obras. Manoelito de Ornellas, Walter Spalding e Mansueto Bernardi, célebres autores e conhecedores da história e literatura do Rio Grande do Sul, também referenciam o cacique guarani como um herói em seus trabalhos.
Infelizmente, nem todos os gaúchos conhecem a história de Sepé Tiarajú, nem sabem o que ele representa para brancos e indígenas. Infelizmente a situação do índio hoje é ainda pior do que naquela época, pois este está perdendo sua língua, seus usos e costumes, enfim, sua identidade cultural, além de perder terras de suas reservas sem que a FUNAI atue de forma adequada.
Falta-lhes, talvez, um novo Sepé Tiaraju, um novo líder guerreiro e valente, para exigir o respeito e a admiração que lhes são merecidos.


Referências Bibliográficas:

CHEUYCHE, Alcy. Sepé Tiarajú: um romance dos Sete Povos das Missões. Porto Alegre: AGE, 1993.
GOLIN, Tao. O Povo do Pampa: uma história de 12 mil anos do Rio Grande do Sul para adolescentes e outras idades. 2 ed. Passo Fundo: UPF, 2001.
QUEVEDO, Júlio. A Guerra Guaranítica. São Paulo: Ática, 1995.
REVERBEL, Carlos. O Gaúcho. 2 ed. Porto Alegre: L&PM, 1996.
História Ilustrada do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: JÁ Editores, 1998.



[1] Tradicionalista. Licenciado em Pedagogia pela Universidade Estadual do Rio Grande do Sul – UERGS. Professor do Magistério Estadual no município de Campestre da Serra.

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