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quarta-feira, 1 de junho de 1988

Artigo A Tradição Gaúcha preservada nos Rodeios de Vacaria

2006
Trabalho apresentado pelo Edgar Bueno Silveira, representando o Rio Grande do Sul durante o Forúm Mundial da Rede de Jovens Voluntários da Paz, realizado na Universidade Paulista de Santos (UNIP)



Artigo publicado no Jornal Correio Vacariense, Edição Extraordinária, de 01 de Fevereiro de 2006, Ano XXXI, N.º 1838, apresentando uma breve abordagem sobre a formação étnica e histórica do povo gaúcho, além da importância do Rodeio Crioulo Internacional de Vacaria para a preservação da cultura gaúcha.






A Tradição Gaúcha preservada nos Rodeios de Vacaria

Edgar Bueno Silveira[1]

Quando em 23 de Julho de 1955 o CTG Porteira do Rio Grande era fundado, certamente seus pioneiros não imaginavam a que proporções este chegaria. Por certo, não imaginavam também, a imensidão dos Rodeios que o Porteira do Rio Grande viria a organizar, transformando-se numa das maiores festas tradicionais – ou  regionalistas – do mundo. Poucos povos do globo possuem um folclore tão forte e tão manifesto como o povo gaúcho, que através dos rodeios preserva seus costumes campeiros, artísticos, culturais, éticos e morais.
No dia 6 de abril de 1958, o CTG Porteira do Rio Grande, tendo por patrão o Sr. Getúlio Marcantônio, resolveu comemorar o seu terceiro aniversário de fundação, promovendo um Rodeio Crioulo, com torneio de laço e concursos de rédeas. A poesia crioula, a dança, a música e o folclore, cultuados em nosso meio tomaram conta da vivência de nosso povo. Este primeiro Rodeio, que representa um grande marco na nossa história, foi apenas de âmbito regional. Contudo, daí em diante, o rodeio somente cresceu a cada realização, chegando a se tornar internacional.
O rodeio de Vacaria não é internacional por acaso. Não é somente em função das delegações de músicos,  artistas e de visitantes estrangeiros. A formação étnica do povo gaúcho, ou do povo gaucho, como pronunciam nossos vizinhos sul-americanos,  tem as mesmas raízes.
Com a introdução do cavalo, quando da fundação de Buenos Aires em 1536, por Diogo e Pedro de Mendoza (desbravadores espanhóis) (REVERBEL, 1996, p. 28), e do gado em 1634, pelos padres jesuítas da Companhia de Sancto Ignácio de Loiola (Membros da Igreja Católica da Espanha), através do padre Cristóbal de Mendoza y Orellana (GOLIN, 2001, p. 40), uma vasta região do sul do Novo Mundo começava a firmar sua identidade e cultura.
Essa identidade cultural seria baseada no domínio do homem sobre o cavalo e na utilização do gado desde a tração animal, alimento ou fornecedor de couro, sebo e guampa. O modo de vida e a indumentária que se utilizava desde estas épocas mais remotas até aos dias atuais sofreu muitas modificações e influências, mas é muito semelhante no Rio Grande do Sul, no Uruguai, na Argentina, em parte do Chile e do Paraguai.
O folclore de toda essa região é uma mescla de culturas: o domínio dos cavalos vindos de Portugal e Espanha, que remonta de quando os árabes invadiram a península ibérica; os trajes e as músicas, que sofreram influências de negros, índios, conquistadores europeus, desbravadores e imigrantes colonizadores, etc.
A própria economia agropastoril do pueblo gaucho, foi baseada em todas estas etnias. Segundo Reverbel, “Antes mesmo da disseminação das charqueadas, que deram início ao primeiro surto industrial rio-grandense, baseado na mão-de-obra escravizada, o negro já aparecia no Continente, na condição de peão de estância”.(1996, p.100).
É marca registrada dos vacarianos a hospitalidade. A qualquer visitante que chega, lhe é oferecido o chimarrão. Aqui uma outra marca da mescla de culturas: o porongo (negro), a erva-mate (indígena) e a bomba de prata (européia) se unem para dar as boas vindas.
Toda essa mescla de culturas e de etnias se condensa nos rodeios, seja no chiripá (de origem indígena), ao som de uma gaita piano ou ponto (vindas com os imigrantes da Itália e da Alemanha, respectivamente), com o batuque (negro) de um bombo legüero ou nas danças, que imitavam a corte e as danças européias nos primórdios do Rio Grande do Sul.
De acordo com a Lei Nacional de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em seu Capítulo II, Artigo 26 (1996), os currículos das escolas, tanto no ensino fundamental quanto médio, devem ter uma base nacional comum a fim de se assegurar um ensino padronizado a todos os alunos do país. Contudo, o mesmo artigo estabelece que os estabelecimentos de ensino devem complementar tais currículos “por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela” (Brasil – LDB, 9394/96). Infelizmente, nossas escolas não cumprem a legislação nacional em sua totalidade, pois nossa cultura é pouco trabalhada em nossos educandários.
Felizmente, os rodeios mantém viva a nossa tradição. Viva o Rio Grande do Sul! Viva a nossa Cultura! Viva o Rodeio Crioulo Internacional de Vacaria!







Referências Bibliográficas

BRASIL – Ministério de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: introdução aos parâmetros curriculares nacionais / Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997.

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/96. Brasília, 1996.

GOLIN, Tao. O Povo do Pampa: uma história de 12 mil anos do Rio Grande do Sul para adolescentes e outras idades. 2 ed. Passo Fundo: UPF, 2001.

HASSE & KOLLING, Geraldo & Guilherme. Lanceiros Negros. Porto Alegre: JÁ Editores, 2005.

OLIVEIRA, João Viterbo de. Vacaria, ontem, hoje e perspectivas de futuro (in.) Raízes de Vacaria I – Porto Alegre: EST, 1996.

REVERBEL, Carlos. O Gaúcho. 2 ed. Porto Alegre: L&PM, 1996.



[1] Tradicionalista, Pedagogo, Professor do Magistério Estadual no Município de Campestre da Serra.

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