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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Diário de Bordo de Rachel Munhoz na França III - Festival de Montoire




Uma cidade no interior da França, mais de dez grupos folclóricos de diversas partes do mundo e eu, a única brasileira entre eles. Esse festival me ensinou duas coisas: a primeira é que é imprescindível ter um segundo idioma fluente. E  a segunda é que o sorriso é uma linguagem universal.  
Fui convidada pela presidente de honra da ABrasOFFA, Helena Lourenço, a viajar para a França com o intuito de conhecer o Festival de Montoire . A intenção é reunir e produzir material para a divulgação de festivais pelo mundo.
Proux, Rachel e Pignatari

Apesar de não falar francês fluentemente, aceitei o convite. Afinal, entre os apaixonados por cultura, quem não gostaria de ir? Inicialmente, uma amarelinha que domina a língua iria me acompanhar, mas devido a contratempos não pôde fazer a viagem. Por outro lado, a barreira do idioma e da distância é facilmente vencida pelo sabor do folclore.
Por isso, às 8 horas da manhã, desembarquei do trem de Paris direto para a cidade de Montoire, onde uma integrante da organização, Caroline Pignatari, me aguardava.
Dançarina mexicana

Depois de me apresentar para o diretor do festival, Jean-François Proux, acordamos tudo que eu deveria fazer durante a minha estada: entrevista com os grupos folclóricos, personalidades da organização, imagens da cidade e do festival. Todos estavam em um ritmo bastante acelerado por causa da proximidade do evento e da expectativa de receber mais de 4 mil pessoas como público.
Depois de almoçar com os grupos, fomos todos para o centro da cidade, onde aconteceu a abertura oficial: os dançarinos e músicos estavam vestidos com roupa típica de gala e, no meio, a bandeira do CIOFF (International Council of Organizations of Folklore Festivals and Folk Arts).
Proux chamou um casal de cada país e os representantes do município ao palco. Citou a minha participação, agradecendo à "jornalista brasileira" - a câmera ficou bamba nas minhas mãos. Pássaros foram soltos no final da declaração e estava declarado aberto o Festival de Montoire, que já comemora 39 anos.
Grupo da Macedônia no palco

Logo após a cerimônia, o público sentiu um gostinho do festival, com um desfile de cada nação participante, dando uma pequena amostra de suas coreografias. À tarde, os grupos fizeram animação em locais públicos, como praça, igreja, entre outros. Também fez parte da programação, apresentações em tendas e restaurantes, das quais participam empresas privadas que contribuem, divulgando sua marca e contraindo renda para o projeto.
Às 21 horas, teve início a sequência de shows. Portugal com um grupo de cinco universitários, apresentou o Fado de Coimbra, triste e belo. Logo após, a Macedônia chamou a atenção do público com uma banda de fanfarra bastante alegre e contagiante, características comuns na cultura cigana. México, logo em seguida, com sua equipe músicos, acompanhados por 24 bailarinos. A Itália apresentou um número de acrobacias com bandeiras, uma tradição militar. A Polônia foi a última a subir no palco, antes do intervalo em que a plateia pôde comprar artesanato, entre outras coisas, trazidos pelos grupos.
Conferência de Portugal

Depois da pausa, os Estados Unidos foram representados por uma banda gospel, formada por quatro cantoras, donas de vozes poderosas, e um pianista muito talentoso. Como não podia faltar no repertório, a última canção - que fez todos cantarem juntos - foi Oh Happy Day.
Já a Indonésia encantou por ser o número mais exótico, composta por músicos e dançarinos que brilhavam com suas roupas douradas. Seus instrumentos, incomuns para a maioria, completavam o cenário misterioso.
A Romênia trouxe uma banda que fez bastante sucesso, além de sua grande equipe de dançarinos. O Irã apresentou uma dança típica masculina. A sua banda impressionou a plateia, principalmente por causa do som de sua flauta tradicional e tipo de canto do vocalista.
Rachel com grupo da Indonésia

Com um folclore estilizado, a Argentina fechou a noite. Um show bastante profissional e uma belíssima coreografia, que contagiou o público, os voluntários do evento e também os outros grupos que já tinham se apresentado.
E assim foi o primeiro dia do Festival de Montoire, que seguiu até o dia 15 de agosto. A programação variou durante a semana, intercalando os grupos em apresentações, animações, oficinas e conferências interessantes sobre folclore. No decorrer, outros grupos chegaram para apresentações únicas.
É válido acrescentar que, relembrando os festivais passados, a cidade também abriga um museu, chamado Musikenfête, onde são expostos artesanatos, instrumentos e roupas típicas doados por grupos que já passaram pelo evento. Há também uma sessão com instrumentos gigantes desenhados pelo músico e luthier francês Robert Hébrard.
Desfile

Enquanto presente, pude ver pessoas de diferentes nações interagindo, tentando se comunicar, ora com a mistura de idiomas, ora com mímicas e desenhos. Eu mesma fui uma ferramenta para o cultivo da paciência, pois falando pouco o francês, todos se esforçaram para me passar informações.
Vi poloneses cantando músicas francesas, macedônios aplaudindo argentinos, entre outros. Com o perdão do bordão, vi a verdadeira magia da Cultura de Paz acontecendo.  Enquanto festivais como esse acontecer, a cultura e o respeito pelas diferenças permanecerão vivos!

Meus sinceros agradecimentos ao senhor Jean-François Proux e Caroline Pignatari por terem me recebido. Agradeço também a todos os voluntários do evento. Em especial, o músico paulista Álvaro Pignatari, que conheci no terceiro dia de festival - seguindo a máxima de que há brasileiros em toda a parte do mundo.

Grupos que participaram do Festival de Montoire:

Companhia Argentina de Danças Sentires, de Córdoba.
Yasa Putra Sedana, de Bali, Indonésia
Jaylan Group de Bojnord, Irã
Sbandieratori dei Rioni, di Cori, Itália
Grupo gospel Voices of Peace, Love and Harmony, Estados Unidos
Fanfarra Rusit Sakir, de Kumanovo, Macedônia
Ballet Folclórico Imagenes, México
Grupo de Música e Dança Slowianki, Cracovie, Polônia
Grupo de Fado Rapsódia, Coimbra, Portugal
Grupo Porolissum, Zalau, Romênia
Celtic Legends, Irlanda
Hadley Castille, Estados Unidos
Ballet Folclórico da Universidade de Colima, México

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